Ondas de Rádio
Emissão, Meio e Recepção
Para entendermos como funciona
a transmissão de rádio é necessário que saibamos que para qualquer tipo de
comunicação, a presença de três elementos será sempre comum: "Emissão Meio
e recepção".
Emissão - É a fonte de sinal
que se utiliza para comunicar algo (voz, instrumento musical, transmissores de
rádio e TV...).
Meio - É o elemento
intermediário entre entre o emissor e o receptor, ou
seja , por onde se propaga a "informação" até o seu destino que pode
ser o ar, a água, as fibras óticas, os fios elétricos, os cabos telefônicos e
até mesmo o vácuo.
Receptor - É o elemento
terminal na comunicação. É quem capta a informação no meio em forma de som,
imagem, ondas de rádio e traduz aos nossos órgãos sensoriais (olhos e ouvidos).
Para melhor compreensão notemos
como exemplo quando falamos com alguém. Nossas cordas vocais e nossa boca são
os emissores de voz. Seu efeito sonoro propaga-se no meio que é o
ar até ser captado e percebido através do ouvido do nosso interlocutor, no caso
o receptor.
Freqüência
Novamente, tomaremos como
exemplo o som da voz. Quando falamos, estamos gerando uma quantidade de
vibrações de modo que alguém possa ouvir, ou seja, estamos transmitindo ondas
sonoras através do ar numa determinada faixa de freqüência audível (de 20 a
20.000 ciclos por segundo). Quem nos ouve consegue perceber na mesma quantidade
de ciclos por segundo (freqüência) em que emitimos nossa voz.
Foi através desse princípio que
Henrich Hertz, um cientista do século passado, descobriu a existência de
vibrações muito acima da capacidade da audição humana.
Hertz também descobriu que
estas vibrações ou freqüências quando geradas por um processo eletromagnético
acima de uma certa quantidade (100.000 ciclos por segundo), conseguia se
desprender de seu meio gerador e propagar-se a
velocidade da luz (300.000 Km por segundo), tanto no ar, na água, como até
mesmo no vácuo, dependendo de sua quantidade de vibrações por segundo.
Posteriormente em sua homenagem
foi denominado de "Hertz" a unidade de ciclos
por segundo, mas quem classificou essas freqüências em faixas, segundo suas
possibilidades de propagação e também descobriu o uso prático para elas (o
rádio) foi o engenheiro norte americano Lee Forest em 1903.
Um ciclo ou um Hertz é composto
por: Amplitude que é a intensidade ou diferença de potencial, também
conhecido como volume ou potência da onda, e a altura ou Freqüência que
é a velocidade cíclica que essa onda é gerada.
Não podemos esquecer que
qualquer que seja o meio em que essa onda é gerada e propagada, devemos
considerar uma velocidade constante de propagação dessas ondas: Som no ar = 400
metros por segundo, Radiofreqüência = 300.000 Km por segundo (assim como a
luz).
Faixas de Rádio
freqüências
Essas freqüências foram
classificadas em faixas da seguinte forma:
Ondas Longas (LF): de 100.000 Hz a 500.000 Hz, propaga-se muito bem na água e
razoavelmente no ar. Muito usadas em comunicações marítimas. Requer altíssima
potência para se propagar através do ar.
Ondas Médias (OM): de 500.000 Hz a 1.700.000 Hz, propaga-se com facilidade no ar,
usado na radiodifusão a média distância (até 1000 Km) e reflete-se nas camadas
mais baixas da atmosfera, podendo conduzir os sinais de áudio com adequada
resolução (música, locução, etc.).
Ondas Curtas (HF): de 1.700.000 Hz a 30.000.000 Hz, propaga-se muito bem com menor
necessidade de potência (Amplitude), reflete sua propagação nas camadas mais
altas da atmosfera, usados nas comunicações de longas distâncias, mas sua
resolução de áudio é muito pequena, por isso é mais recomendado para veicular sinais de telégrafos ou locuções radiofônicas.
Ondas Muito Curtas (VHF): de 30.000.000 Hz até 300.000.000 Hz, propaga-se muito bem no ar
e também no vácuo, mas raramente se reflete nas camadas atmosféricas, além de
ter alta capacidade de definição de áudio e imagem, conveniente para
transmissão de sons em alta-fidelidade e imagens de TV, mas sua capacidade de
recepção se perde na curvatura da terra após 60 Km.
Ondas Ultra Curtas (UHF): de 300.000.000 Hz a l.000.000.000 Hz (1
Gigahertz), usadas nas comunicações de linkagens por possuírem um alto poder de
definição e não precisarem de muita potência de propagação além de terem maior
possibilidade de direcionamento.
Modulação
Podemos definir modulação como
a superposição de uma informação sonora (voz, música...) na onda (portadora) de
radiofreqüência. Em outras palavras, podemos dizer que o sinal de
radiofreqüência (RF) é quem leva a informação sonora e é por isso que também a
chamamos de PORTADORA, e o que iremos transmitir nessa portadora é a modulação
sonora (ondas audíveis de 20 a 20.000 ciclos por segundo).
A modulação poderá ser feita na
portadora de várias maneiras, dependendo do uso e da faixa. Desta vez vamos
estudar o tipo que usamos em transmissão de Rádio Livre e Comunitária que é a
modulação por freqüência, ou ainda FREQUENCIA MODULADA (FM).
Esse tipo de modulação
caracteriza-se pela mudança de freqüência dentro de uma certa gama que pode
variar quanto maior for o volume de som que injetamos na portadora. A portadora
por sua vez mantém o mesmo nível de intensidade de sinal durante a transmissão.
Essa variação de freqüência
provoca o que chamamos de "sanfonamento" da freqüência portadora e
pode alterar a freqüência fundamental (aquela com a qual sintonizamos a
emissora) em até 75 Khz para mais e para menos, ou
seja se transmitimos uma emissora em 100.1 Mhz, na verdade ela transmite numa
faixa de 150 Khz que vai de 100.025 Khz a 100.175 Khz e quanto maior for o
volume, maior será essa variação.
Porém devemos
lembrar que o padrão universal instituído pelos fabricantes de receptores é
essa de + ou - 75 Khz. Se por ventura extrapolarmos o nível de volume de áudio,
faremos com que o receptor do ouvinte interprete nossa modulação sonora com
distorções.
INTERFERÊNCIAS
(TVI)*
Sobre interferências, notamos
que pode haver reclamações de telespectadores de TV com respeito a transmissões
de radioamadores e rádios-livres. Porém nem as autoridades responsáveis nem os
interessados atentam para o inferno de interferências produzidas por utilidades
domésticas, motores, máquinas, etc. Por exemplo os
reatores de luzes fluorescentes são terríveis produtores de QRM (quociente de
poluição eletrostática e eletromagnética). Idem aos relês de elevadores, velas
de ignição, comutadores de sinal de tráfico, linhas de alta tensão, acendedores
elétricos, etc.
Estes aparelhos produzem um
altíssimo índice de interferências que as vezes
injustamente são atribuídos ao rádio-amantes, e nem os interessados, nem as
autoridades competentes tomam alguma medida adequada que dê solução ao assunto.
Ao rádio-amante interessado
pode, com um pequeno receptor à pilha, sintonizado na faixa de ondas curtas,
passear pela vizinhança e verificar a onde recrudesce o QRM. Depois é só
comunicar ao Dentel para ver o que acontece (absolutamente nada). De qualquer
modo estará se prevenindo, para quando quiserem acusa-lo
de produtor de interferências, você já poderá apontar as zonas onde elas
acontecem de fato antes de começar a irradiar.
Recomenda-se o uso de filtro de
cavidade que se instala na saída da antena. Existem dois tipos de cavidades: O
filtro Passa-Banda, que corta todas as freqüências, permitindo a passagem
apenas da freqüência fundamental e o filtro Corta-Banda, que permite a passagem
de todas as freqüências e não permite a passagem de uma determinada freqüência.
Este último, é utilizado quando você sabe exatamente a
freqüência que está sendo interferida.
Entretanto, a política da boa
vizinhança tem sido o método mais eficaz para evitar possíveis aborrecimentos
com as reclamações de vizinhos e também com a Lei.